Homem a descer o balde
A picota é um aparelho rudimentar que se utiliza para tirar e elevar água de poços e rios, a fim de regar as horticulturas, de Norte a Sul de Portugal.
Constituída
por um poste vertical enterrado no chão, é encimado por uma
forquilha, onde se coloca a vara fixada no eixo. Esta vara numa
extremidade tem o contrapeso, também este aí fixado, constituído por
pedras. No outro extremo tem outra vara pendurada na vertical, fina e
comprida, possível de ser segura entre as mãos. Esta por sua vez tem na
ponta inferior uma argola onde se pendura o balde.
O contrapeso deve ser
tal, que não seja muito difícil levantá-lo quando se desce o balde
vazio até ao fundo do poço, mas que na situação inversa, seja
suficiente para de facto ajudar a retirar o balde cheio de água
até à superfície.
Fundamentalmente é o principio da alavanca, a alavanca inter fixa, sendo para o homem muito mais cómodo e ao mesmo tempo exige menos esforço!
A forquilha, talvez a "peça" mais elaborada pode ser de madeira, como por exemplo no Valado.
Havia algumas picotas no Valado, hoje não há seguramente nenhuma a funcionar.
É mais um desaparecimento motivado pelo avanço tecnológico...fica a recordação!
Conhecida já no tempo dos antigos egípcios (chaduf)
foi até muito recentemente, usada de norte a sul do país. Mas não só em
Portugal, também em Espanha, França, Grécia, e até no Japão.
No Valado era conhecida essencialmente por picota mas, conforme a região, tinha outros nomes: Cegonha, balança, burra, picanço, saragonha, varola, zabumba, zangarela, bimbarra, burra-cega, burro, cambão, cavaleiro, cegonho, gaivota e poço com vara ou poço armado.
Esquema duma picota que trabalha num poço
Mapa de distribuição da picota em Portugal
Irrigação de palmeiras no Egipto antigo (1500 A. C.). Desenho encontrado num túmulo.
http://sarzedasdovasco.blogs.sapo.pt/4816.html
Gago, José Mariano - Homens e Ofícios