Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

A Flora do Valado 1











































O Rui Marques tem um hobby, o da fotografia, que lhe exige um trabalho de busca...atenção...perspicácia...e sentir, para o momento que passa.
Visitando e "remexendo" na sua galeria-http://olhares.aeiou.pt/galeriasprivadas/browse.php?user_id=99586-por lá encontrei estas 2 belíssimas fotos, que nos anunciam uma Primavera de beleza e êxtase.
Foram captadas - como sempre - nos campos tão férteis e "amorosos" do Valado.
Quisera que toda a turbulência que se sente e nos rodeia, deixasse um templo contemplativo...para estas maravilhas!

Domingo, 29 de Abril de 2012

Lavadeiras no Rio do Abegão


Nos painéis de azulejos que vamos descobrindo no Valado, não podíamos desperdiçar a representação típica dum cena tão cara aos Valadenses...o seu rio do Abegão e as suas lavadeiras.
Este azulejo está afixado na rua da Creche, 43.
Este trabalho que às mulheres era cometido, caiu em total desuso, vencido pelas...Philips, AEG, Hoover, etc!

Sábado, 28 de Abril de 2012

Relógio da Estação Caminho Ferro





Este é o "enorme" relógio que ainda hoje e solitariamente continua  pronto, ao cumprimento da sua função.
Modelo que ornamentava muitas das nossas estações de caminho de ferro, este da marca Paul Garnier de Paris, era um verdadeiro relógio que mostrava uma fidedignidade interessante.
Era um "móvel" a que ninguém ficava indiferente e deixava de consultar.
A nossa Estação está "morta"...mas o seu relógio recusa este estatuto!

Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

Preocupações...

Por vezes queixamo-nos que..."parece esquecerem-se de certos grupos de pessoas"!
...Não é o caso da imagem!

http://laprovitera.blogspot.pt


Fauna do Valado



Fui outra vez à galeria do Rui Marques na busca de bonitas imagens que ele capturou aqui nos nossos campos, percorrendo-os incansavelmente, desde as áreas mais húmidas aos altos um pouco mais secos.
Seleccionei hoje uma borboleta com cores e recortes maravilhosos, em contraste extraordinário com o verde onde está. 
Na outra imagem, uma louva a deus numa posição de cortesia, ela própria parecendo uma escultura de madeira em harmonia com o sítio onde se desloca.
Parabéns Rui...assim vamos mantendo a nossa fauna sob vigilância!
 

Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Carro de Vacas com Vinho


Curiosamente o Valado não era uma terra muito "virada" para a produção de vinho.
Alguns agricultores possuíam umas vinhas...donde retiravam não mais que uns escassos litros de vinho, ou água pé, que eram consumidos no quotidiano familiar - às refeições ou no trabalho.
Os agricultores que cultivavam algum vinho de mais qualidade e em maior abundância tinham mesmo uma adega apetrechada com um pequeno lagar, havendo também uma destilaria onde se fazia aguardente.
Apesar desta fraca "presença" no meio vinícola, havia um comerciante,  Maurício Inácio dos Santos, com adegas instaladas no largo da Estação.
Comprava algum vinho aos agricultores Valadenses e também a outros.
A imagem mostra precisamente um trabalhador de Maurício Santos, à frente de um carro das vacas, transportando uma pipa de vinho.
É uma imagem que não voltaremos a ver...por razões várias!

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Farmácia Coelho



No princípio do séc. XX o Valado já usufruía dum bem inestimável - a Farmácia Gonçalves - situada na rua Prof. Arlindo Varela, 65.
Em 1928 mudou de proprietário, tendo sido adquirida por António Matias Coelho, mantendo-se a sua localização.
Posteriormente, mudou de local - para onde ainda hoje se encontra - um imóvel construído propositadamente, alterando-se também o seu nome para Farmácia A. Coelho.
Assim se manteve até ao falecimento do proprietário, o que aconteceu em 6 de Novembro de 1948.
A 1 de Julho de 1949, o alvará foi transferido para Orlando da Costa Serra, passando a denominar-se Farmácia Coelho.
E esta é a realidade que ainda hoje encontramos.
A imagem, mostra-nos Orlando da Costa Serra por trás do balcão e como era a Farmácia há relativamente poucos anos.
Este é mais um exemplo da grande vitalidade que o Valado mostrava há décadas, de facto para uma aldeia rural...quantas aldeias, ou mesmo algumas vilas, dispunham deste "bem"!?

Domingo, 22 de Abril de 2012

Dia da Terra


Não me vou perder em grandes laudatórios sobre este tema tão glosado...ambiente...agressão ambiental...ecologia...Quioto...Copenhaga...Rio...etc...etc!
Melhor que tudo isso, este recanto perto de mim...com ervas e papoilas!
No resto...esperemos que não aconteça nada!

Fonte do Largo Dr. Collares Pereira

 Frente da fonte virada para o largo da Junta

Aqui está um exemplo do mau gosto com que por vezes nos deparamos.
Não sei qual foi a ideia peregrina da construção desta fonte, no Largo Dr. Manuel Collares Pereira, poderei supor que se tratou duma tentativa de colmatar o "assassínio" da outra que existiu precisamente no lado oposto da mesma rua...e que já coloquei neste blog!
Ambas as fachadas apresentam uns desmesurados painéis de azulejos de cores discutíveis...pelo menos!
Foi inaugurada em 1997.
Existe há pouco tempo e parece-me que poucas pessoas se preocupam com a sua presença...é significativo! 

 Costas da mesma fonte, virada para a rua Carlos O´Neill

Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Barcos da Nazaré


A Nazaré é pescadores...mar e...barcos!
...O turista...veio mais tarde.
Se a vida desta vila passou por aquela realidade, é bom de ver a necessidade de preservá-la como fazendo parte dum património histórico-social que a ninguém pode deixar indiferente.
Parece pois que a parceria entre a Câmara e o Museu dr. Joaquim Manso faz todo o sentido...para que as memórias nos revisitem.


PERDIDO

Tipo de embarcação: Pesca local com rede de xávega
Dimensões: Comp. 4,60m/ Boca - 2,44m
Pontal - 0,89m/ Ton. Bruta - 2,497 ton.
Cor: Vermelho, branco, azul e preto
Características gerais: Embarcação de boca aberta, de fundo chato, 
com tábua de armar, remate de proa em forma de bico elevado e 
pontiagudo, reforçado com zinco, popa com painel ou cortada 
 rematada pelos respectivos cepo e corrimão. O entabuamento
 é delimitado pelos talabardões onde existem, no lado da proa, 
duas “malaguetas” a bombordo e outras duas a estibordo, e
uma outra no lado da popa, a bombordo. Possui, além do
 banco da ré, dois bancos apoiados sobre os dormentes 
com as respectivas anteparas (para apoio dos pés). 
Formada pelo “pau do meio” e último banco, a “casa da água”. 
À proa e à ré, um paneiro. Na proa há ainda a argola e o gancho.

ILDA
Tipo de pesca: auxiliar de candil
Registo: N1726L - Nazaré - 10/03/1948
Dimensões: Comp. 3,33m/ Boca - 1,50m
Pontal - 0,50m/ Ton. Bruta - 0,624 t.
Cor: Vermelho, branco, azul e querena preta

MIMOSA
Tipo de embarcação: barca de pesca local como auxiliar de traineira
Registo: N21188L - Nazaré 27/10/1967
Dimensões: Comp. 10,80m/ Boca - 3,36m
Pontal - 1,12m/ Ton. Bruta - 8,667 ton.
Cor: Verde, branco, azul e preto
Características gerais: Embarcação de boca aberta, de quilha e 
coberta. Proa arredondada terminando em capelo e popa sem 
painel. Ao longo do costado, dois verdugos separados entre si. 
Apresenta à proa e à ré duas malaguetas de cada lado e dois 
cunhos, um paneiro à vante e outro à popa. Navega a remos
 (três de cada lado) e possui quatro bancos.


NOSSA SENHORA DOS AFLITOS

Tipo de embarcação: barca salva-vidas
Dimensões: comp. 10,20m – Boca 3,42m
Pontal 1,35m – Ton. Bruta 8,664t
Data de construção: 1912
Cor: Branco, vermelho e branco
Características gerais: construída em madeira de pinho manso, 
tipo de barca regional da Nazaré. Apresenta proa curva e popa
 sem painel. Tem convés com dois escotilhões, um à proa e outro
 à popa para acesso ao porão que serve de caixa de ar. Sob a
 tábua de falca existem dois verdugos e entre estes, a todo o 
comprimento do costado, uma molhelha que lhe confere maior 
flutuabilidade. No verdugo inferior, os respectivos seios de cabo.
 Tem poço, existindo 4 portas de mar de cobre, em cada bordo.
 Navega a remos (5 de cada lado).  
PERDIDO


 ILDA
 MIMOSA
                      
NOSSA SENHORA DOS AFLITOS



http://www.cm-nazare.pt/



























































Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Catedral a Caminho da Lagoa



Esta é uma perspectiva tomada a caminho da Lagoa...túnel ou nave duma catedral?!
O Valado tinha uma característica interessante ao conseguir conciliar as terras de cultivo de regadio e o frondoso pinhal...início do pinhal de Leiria que se estende por dezenas de Kms2 e donde saíram madeiras para as naus dos Descobrimentos.
De qualquer modo o pinhal fecha-se numa imagem interessante que confunde.
Estas imagens dos pinhais do Valado que tememos desapareçam, como começou por acontecer ao fazer-se o corte que já se indicia no 1º plano...em prol da zona industrial!
Pena é não podermos  conciliar as "catedrais"...com o desenvolvimento!

Terça-feira, 17 de Abril de 2012

Casa Antiga Valado


Por vezes custa a perceber porque certas situações acontecem, uma vez que era extremamente simples encontrar uma alternativa "saudável".
Esta casa personifica uma certa tradição e cuidado, que estão de acordo com a sua própria fisionomia.
Casa baixa, com uma porta liliputiana onde se insere uma única janela com interessante cortinado, e a encimar tudo isto uma fresta, que servirá para facilitar a ventilação e a claridade.
Cá fora uma fila de vasos onde as flores da proprietária dão um "toque" de graciosidade e bom gosto.
Até aqui...nada a opor!
Mas atente-se agora nos fios dispersos, caídos, autenticamente "despejados"!
E em baixo, que dizer da caixa da energia aí colocada, como se não fosse possível dissimulá-la ou puxá-la um pouco mais para um dos lados!
Era tão fácil...melhorar!

Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

Picota

Homem a descer o balde

A picota é um aparelho rudimentar que se utiliza para tirar e elevar água de poços e rios, a fim de regar as horticulturas, de Norte a Sul de Portugal.
Constituída por um poste vertical enterrado no chão, é encimado por uma forquilha, onde se coloca a vara fixada no eixo. Esta vara numa extremidade tem o contrapeso, também este aí fixado, constituído por pedras. No outro extremo tem outra vara pendurada na vertical, fina e comprida, possível de ser segura entre as mãos. Esta por sua vez tem na ponta inferior uma argola onde se pendura o balde. 
O contrapeso deve ser tal, que não seja muito difícil levantá-lo quando se desce o balde vazio até ao fundo do poço, mas que na situação inversa, seja suficiente para de facto ajudar a retirar o balde cheio de água até à superfície.
Fundamentalmente é o principio da alavanca, a alavanca inter fixa, sendo para o homem  muito mais cómodo e ao mesmo tempo exige menos esforço!
A forquilha, talvez a "peça" mais elaborada pode ser de madeira, como por exemplo no Valado. 
Havia algumas picotas no Valado, hoje não há seguramente nenhuma a funcionar.
É mais um desaparecimento motivado pelo avanço tecnológico...fica a recordação! 
Conhecida já no tempo dos antigos egípcios (chaduf) foi até muito recentemente, usada de norte a sul do país. Mas não só em Portugal, também em Espanha, França, Grécia, e até no Japão. 
No Valado era conhecida essencialmente por picota mas, conforme a região, tinha outros nomes: Cegonha, balança, burra, picanço, saragonha, varola, zabumba, zangarela, bimbarra, burra-cega, burro, cambão, cavaleiro, cegonho, gaivota e poço com vara ou poço armado. 


Esquema duma picota que trabalha num poço

Mapa de distribuição da picota em Portugal

 Irrigação de palmeiras no Egipto antigo (1500 A. C.). Desenho encontrado num túmulo.


http://sarzedasdovasco.blogs.sapo.pt/4816.html 
Gago, José Mariano - Homens e Ofícios

Sábado, 14 de Abril de 2012

Praça Sousa Oliveira - Nazaré

Praça Sousa Oliveira com chapéus e mobiliário de verga

Todas as terras terão o seu centro histórico...ou comercial...ou cultural...ou de visitas!
A Nazaré não pode obviamente fugir a regra, e a Praça Sousa Oliveira é a sua célebre "sala de visitas."
Ao longo de muitas décadas...por muitas mudanças que se tenham feito sentir na sua "malha urbana"...na diversificação da implantação comercial...o ponto de referência para quem a visita ou revisita, é sem dúvida ...a Praça Sousa Oliveira.
As imagens colocadas limitam-se à época de Verão...quando os multicolores chapéus das esplanadas faziam a sua aparição...os homens dos gelados circulavam nas imediações e...os empregados dos cafés que a circundam faziam malabarismos a atravessar as ruas com as bandejas a abarrotar!...
Os amigos de sempre, e muitas vezes só de Verão, cavaqueavam por horas!
...E certamente que muitos pares de enamorados ali se definiram!
A emoldurar tudo isto os cartazes a anunciar, qual o filme com a Maryrlin...a Loren...o Gable...o Wayne...a passar nessa tarde e noite no Cine Casino Paraíso, com alguns "mirones" a informarem-se e a opinar!
Num dos topos da Praça, o imprescindível quiosque dos jornais expostos num exercício de malabarismo a forrar a parede, à volta da qual sempre muitos mirones a informarem-se das notícias!
Tentei uma revisitação da Praça!
Parece-me poder concluir que de tudo isto...ficou a eterna Praça!

 A Praça já numa fase posterior a 1.ª imagem

 Apesar de todo o bulício do mercado ainda sem esplanadas 


Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

Borboleta Folha


Outra vez uma visita à página do amigo Rui Marques, e desta vez para trazer mais uma imagem da fauna do Valado.
Chamei-lhe Borboleta Folha - Zaretis Itys - será esta a nomenclatura decorrente da Taxonomia (?!), mas uma coisa é certa...as asas da borboleta confundem-se perfeitamente com uma folha!
Uma observação atenta mostra-nos em grande pormenor as nervuras, das asas ou...das folhas?!


Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Sachar Milho - Rancho a Caminho


Já foi o Valado uma terra de grande produção agrícola, onde predominava a cultura do milho...e no blog tenho por diversas ocasiões focado este pormenor.
A imagem hoje colocada, é da autoria dum Valadense que se deu ao cuidado de guardar para a posterioridade muitas cenas do quotidiano.
E esta é a representação dum rancho que se desloca para uma sacha num campo de milho - retirar as ervas daninhas, para que o milho melhor se desenvolva.
Só quem presenciou ao vivo esta situação, está em condições de poder avaliar o rigor de todo o conjunto - as vestes, o garrafão à cabeça, a posição das enxadas ao ombro e enfiadas nelas as sacas com o farnel, as calças meio arregaçadas, o molho de gravetos à cabeça duma mulher para fazer a fogueira do almoço, as mulheres de avental, alguns homens de barrete, uma camisa a tiracolo, etc.
Um realismo e um "movimento" que nos deixa parados e observar uma cena de grande fidelidade.
Um agradecimento ao autor, Joaquim Ferreira Santos, pois graças a ele o Valado....manteve-se em alguns aspectos vivo!

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Sapateiros em Alcobaça

Oficina de sapateiros de João Elias de Oliveira

Longe vão os tempos em que um par de botas (o mais comum)...era um "exercício" de longo tempo, e não como hoje que é chegar a uma loja...calçar e...trazer!
Quando se pretendia um novo par de botas...era necessário ir a um sapateiro...colocávamos o pé direito (parece ser um pouco maior) sobre uma folha de papel branco e...o artista desenhava com um lápis o contorno do referido pé!
Depois media com uma fita métrica a "grossura" do peito do pé e...a mesma operação mais ou menos onde começavam os dedos!
...Por fim media o desenho que tinha feito...onde todas as medidas eram anotadas.
Feito isto...as botas estarão prontas daqui a!...
Era assim na generalidade do Portugal rural...era assim o que nos mostra a imagem da oficina de João Elias de Oliveira...sediada no Rossio e...onde já encontramos um significativo número de "artistas"!
...Estamos na presença duma manufactura que assumirá já uma "postura" pré-industrializada...que virá a seguir com as máquinas...enfim a indústria!
Esta oficina que vem desde finais do séc XIX...alongou-se no tempo até quase ao séc. XXI.
É necessário a mudança...mas é pena que algo não se mantenha, as memórias perdem-se!

 Bilhete postal publicitário da Sapataria Elegante, de João Elias de Oliveira

 Sapateiro a trabalhar calçado sobre a forma de ferro
  
http://www.google.pt/imgres 
Sampaio, Jorge Pereira de e Pereira, Luís Afonso Peres - Alcobaça um século em imagens

Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Mondar



A vida no campo nunca foi fácil, não só em termos físicos, mas também do que exigia em conhecimentos.
Não é por acaso que se preferiam certas pessoas para determinados trabalhos, por exemplo podar, nem toda a gente sabia.
A imagem de hoje mostra precisamente um trabalho complementar de outros que entretanto se tinham efectuado - depois duma sementeira havia sempre que fazer tratamentos de desinfecção, etc - e este outro, da monda.
Por muito bem cuidada que tivesse sido a preparação da terra e a selecção das sementes, havia, sempre em consonância com o desenvolvimento e crescimento das plantas, o aparecimento paralelo do que poderíamos chamar de "parasitas".
Pois bem, a monda é precisamente o expurgar a terra dessas espécies, trabalho esse que por vezes exigia a presença de um rancho onde geralmente predominavam as mulheres - na monda dos cenourais - que durante horas se iam deslocando sentadas no chão e arrancando as ervas perniciosas.
Claro que hoje haverá já processos químicos que facilitarão a vida dos agricultores, mas a monda "manual"...é história do Valado!

Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

Senhora de Fátima no Valado

A imagem chega ao Largo da Estação, para iniciar a procissão

A imagem de Nossa Senhora de Fátima, andou em peregrinação por Portugal.
No dia 17 de Junho de 1956, chegou ao Valado.
Foi um momento de grande emoção vivido muito intensamente pelos Valadenses.
O povo acorreu em grande número, querendo testemunhar deste modo a sua homenagem e a sua fé.
A freguesia vestiu-se de cores e temas festivos, testemunhando o quanto se comprazia com a referida visita.
A aldeia engalanou-se, na confirmação da religiosidade que faz parte das suas gentes que crêem na intervenção divina em muitas das "suas vidas", não descurando a protecção desde sempre solicitada para os seus campos e animais.
O Valado aldeia rural...sempre soube estar presente e digno quando os valores da fé o solicitavam! 
Desde sempre os Valadenses souberam mobilizar-se para as causas em que acreditam...ontem e hoje!


A mesma imagem anterior noutro angulo, à esquerda as autoridades

Casa engalanada na Praça 25 de abril

Grupo de ciclistas Valadenses que se integraram na procissão

Domingo, 8 de Abril de 2012

Papoila


Uma das mais bonitas flores...efémera...em ambiente hostil!
O suficiente para desejar...FELIZ PÁSCOA!

Sábado, 7 de Abril de 2012

Tartaruga Gigante na Nazaré



A Nazaré tem sido nos últimos tempos contemplada com acontecimentos um pouco inéditos e que de modo significativo têm servido para fins publicitários/turísticos.
Uma Tartaruga de Couro, uma espécie comum nas águas costeiras de Portugal, saiu das águas ao largo da Nazaré e "atracou" no porto de abrigo da Nazaré. 
O animal foi encontrado por um pescador nas águas do mar da Nazaré, estava desorientada e um pescador rebocou-a com um cabo para o interior do porto de abrigo.
A tartaruga com 1,5 metros e 160 quilos, tem alguns ferimentos magra e desidratada e foi entregue aos cuidados do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM) de Quiaios, Figueira da Foz. 
«Está magra, está debilitada, tem vários ferimentos, alguns até antigos, chegou às instalações do centro de reabilitação ao início da tarde, tendo sido necessárias nove pessoas para a colocar numa piscina, operação que contou com a ajuda de elementos dos bombeiros municipais.», disse à agência Lusa, Marisa Ferreira, bióloga responsável pelo CRAM. 
«Já está na água há algum tempo e está mais calma. Mas ainda está a habituar-se a este mar com paredes», indicou. 
Ressalvou, no entanto, que o tipo de piscina utilizada, em tela, com paredes maleáveis, permite que os animais «ainda a conhecer os limites que têm [na piscina] possam bater na parede e não se magoem». 
As primeiras análises sanguíneas efectuadas à tartaruga revelaram problemas de desidratação, indicou a bióloga, frisando que agora vai ser alimentada e medicada «e, posteriormente, se tudo correr bem», devolvida de novo à natureza.
«Este animal ainda é pequeno, já tivemos ocorrências com dois metros e meio de comprimento e esta tem apenas metro e meio. Tudo indica que é ainda um animal imaturo», sublinhou. 
Enfim um acontecimento não comum, mas que esperamos irá ter...um final feliz!


 http://www.gazetacaldas.com

Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Linha do Comboio e Anjo da Guarda



Na rua Prof. Arlindo Varela, 27 ainda existe este sugestivo painel de azulejos.
É sugestivo porque a casa foi pertença dum Chefe da Estação do Caminho de Ferro, também no Valado, e porque há bastantes décadas era um pouco frequente acontecerem desastres quando alguém atravessava a linha sem as devidas precauções.
Duplamente explicado o mote e a localização.
Quando hoje se discute tanto a implantação de comboios rápidos...convém não esquecer que hoje a linha que passa no Valado apresenta menos segurança!
A única que vislumbramos continua a ser a que o painel da imagem sugere...Pare...Escute...Olhe!


 

Quinta-feira, 5 de Abril de 2012

Algibeira...Nazaré

Algibeira em escocês
                                       
A Algibeira teve por décadas um lugar primacial no trajo da Nazarena...era um "esconderijo" muito pessoal, tem um carácter verdadeiramente funcional, sendo usada para trazer o dinheiro e outros haveres ou “papéis de valor”, muitas vezes acompanhados por um “breve” amuleto ou relíquia que, segundo a superstição popular e a crença religiosa, era uma forma de protecção. ...seria o contraponto do barrete do homem.
Acessório do trajo feminino tradicional da Nazaré, localmente denominado “alzebêra” é confeccionado com retalhos de diferentes tipos de tecido (escocês, castorina, …).
Trata-se de uma bolsa que se cinge à cintura da mulher por atilhos (um de cada lado). De corte arredondado, apresenta duas entradas na parte da frente e uma na posterior, que fecham com botão. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido contrastante. 
Em situações de luto, também a algibeira usada é de cores escuras ou totalmente preta. 
Ainda hoje é usada diariamente pela mulher da Nazaré, sobretudo pelas mais idosas que envergam o traje tradicional, resguardada sob a “saia de cima”, sempre do lado direito, e fixada à “saia de baixo” por um alfinete de dama.
Dizer-se que a algibeira entrou no esquecimento popular?!...não será muito correcto, simplesmente as "mudanças" do tipo de vida...as alterações da maneira de vestir...determinaram a sua substituição por alternativas mais consentâneas.
Mas continua a existir...nem que seja em momentos "folclóricos"!

 Algibeira de cores mais sóbrias

 Algibeira confeccionada a partir de restos de tecidos

http://loja.avidaportuguesa.com/pt/catalogo/vidaportuguesa/roupa-de-casa/algibeira
http://mdjm-nazare.blogspot.pt/2010/03/universidade-senior-da-nazare-visita.html

Terça-feira, 3 de Abril de 2012

Imperador da Etiópia, Hailé Selassié...em Alcobaça


Imagem registada junto dum dos túmulos do Mosteiro de Alcobaça

Alcobaça é uma terra com o grande privilégio de não haver visita oficial de personalidades internacionais...políticas...religiosas...que não a visitem, obviamente pelo seu Mosteiro.
Em 1959, o Rei dos Reis, O Senhor dos Senhores, O Conquistador Leão da Tribo de Judah, O Supremo Defensor da Fé e Poder da Santíssima Trindade, o Imperador Etíope, Hailé Selassié, que havia sido coroado em 2 de Novembro de 1930, efectuou uma visita oficial a Portugal e a Alcobaça. 
Quando fazia o curto trajecto a pé no Rossio até à escadaria do Mosteiro,atirou moedas de ouro aos populares, que corriam e se debatiam para as apanhar.
Na fé dos Rastas, Hailé  Selassié é reverenciado como Jah Ras Tafari I, o Messias, o Cristo Negro que ascendeu ao Trono do Rei David em Adis Abeba, de acordo com a tradição, o ducentésimo vigésimo quinto da linhagem de imperadores etíopes descendentes do bíblico Rei Salomão e a Rainha de Sabá...é uma figura crucial na história da Etiópia e de África.
Nascido em 1892 e falecido em 1975, derrubou em 1916 Lij Yasu, tornou-se rei em 1928 e em 1930...imperador.
O seu governo foi marcado pela concentração de poder no imperador, reduzir o papel do Parlamento, reforçou a polícia e elaborou uma nova Constituição. Reformou o ensino e ocidentalizou o seu país. 
Foi durante o seu reinado que a Itália ocupou a Etiópia, época em que se viu obrigado ao exílio, regressando ao poder em 1941, depois de a Etiópia ter sido libertada. 
A nível da sua política externa, alinhou com os Estados Unidos da América. Em 1963 participou na fundação da Organização de Unidade Africana. 
Em 1974 foi deposto na sequência de um golpe militar, acusado de má administração durante a fome de 1973, veio a ser substituído pelo major Mengistu, um marxista.



http://flemingdeoliveira.blogspot.pt

Segunda-feira, 2 de Abril de 2012

Mercado do Peixe 1909...Nazaré


Eis uma imagem feliz duma Nazaré que já não encontramos hoje!
Embora o alinhamento urbano esteja "actual", há efectivamente, tinha de haver, muitas mudanças.
Curioso e que de imediato ressalta ainda hoje...o bulício que se sente...tão característico dos Nazarenos.
Curioso é vislumbrarmos homens a transportar sacos com peixe...enfiados num pau.
Curioso é vermos carros de vacas com taipais a carregar caranguejo para a adubação das terras...provavelmente alguns do Valado.
Curioso é o chão ser de...terra batida.
Curioso é não se vislumbrar um...veículo automóvel.
Curioso?!
...Mas estamos na Nazaré...em 1909!

Domingo, 1 de Abril de 2012

As Matracas


A tarde de 5ª feira Santa era no Valado um tempo de grande recolhimento e religiosidade.
Começava por ninguém ir trabalhar no campo, e os homens iam à pesca de enguias nos rios e abertas que sulcam os campos...era também a preparação das refeições que nestes últimos dias da Quaresma impunham a abstinência da carne.
Mas a par deste pequeno pormenor profano, havia outros de maior sentido religioso comum e frequente a muitos lugares, onde sobressaía o toque das matracas.
No tempo da Quaresma d´outro tempo, os padres impunham muitas restrições e obrigações e todos cumpriam. Não se cantava senão na Igreja, não se tocava qualquer instrumento, realejo, concertina, pandeireta e outros, não havia baile, tapavam-se as cruzes...era um tempo de grande recolhimento, interioridade e religiosidade.
Na tarde de Quinta-Feira Santa já ninguém ia trabalhar para o campo e na Sexta-Feira Santa tapavam-se todas as imagens com panos roxos e as janelas com panos pretos e os sinos não tocavam. Em lugar do toque dos sinos, para chamar os Cristãos para as cerimónias religiosas recorria-se às matracas.
O sino "emudecia" e os seus toques eram substituídos a partir das Avés-Marias (cerca do pôr do Sol), pelo som das matracas....uma tábua, onde estavam suspensas umas ferragens, que quando era agitada em movimentos rítmicos faziam um barulho característico - treco treco treco.
Esta operação era feita por um adulto seguido dum grupo de crianças, para quem isto era um acontecimento completamente novo, percorrendo as principais ruas da aldeia.
Isto repetia-se até ao toque do sino a anunciar a ALELUIA e se proclamar "Jesus Ressuscitou Alegrai-vos".
Tempos de religiosidade herdada de tempos imemoriais...impossíveis hoje de repetir!




http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.pt/2012/03/as-matracas.html