Espaço urbano característico na Nazaré por Abílio em 1943
Abílio de Mattos e Silva – conhecido simplesmente por Abílio – nasceu no Sardoal, em 1908. Fixou-se na Nazaré em 1931, onde permaneceu até 1936. Datam deste período as obras mais antigas que se lhe conhecem, quando a pintura começa a manifestar-se de forma mais assídua. A isto não será alheio o seu convívio com os pintores portugueses e estrangeiros que, tal como Abílio, sentiam profunda sedução pela Nazaré.
Apesar de, a partir de 1936, passar a residir em Lisboa,
Abílio continua a pintar os seus fascínios: a Nazaré, naturalmente, e Óbidos,
cuja paisagem desenha e pinta durante longos anos.
Em Lisboa, participa em várias exposições colectivas e
colabora na revista “Presença” (na época dirigida por José Régio) e noutras
publicações. Como grafista, executa numerosos trabalhos para o Estado. Mas é
com a peça de teatro “Tá-Mar”, de Alfredo Cortez, que inicia uma longa e
notável carreira como cenógrafo e figurinista, com intensa produção no domínio
do bailado, da ópera e da dramaturgia. Foi director de cena do Teatro de S.
Carlos, onde levou a efeito algumas das suas mais importantes realizações. Foi
também ilustrador e designer, tendo sido condecorado pelo trabalho desenvolvido
em exposições organizadas no estrangeiro.
Saavedra Machado, antigo director do Museu da Nazaré (instituição
a que Abílio doou parte da sua obra), escreveu sobre a paixão do artista pela
Nazaré, que retratou em pinturas e desenhos inigualáveis. «Quem demore o seu
olhar sobre os óleos, os guaches e os desenhos de Abílio, vê o concreto da
paisagem, do casario, dos barcos, dos pescadores em terra e no mar, os seus
dramas, as gentes nazarenas pousadas no velho burgo do litoral […]. Seguro de
uma técnica que porta com brilho, Abílio foi um artista de raiz com algo de
lirismo, que dá à sua obra grande originalidade, deixando transparecer a
maneira como a Nazaré teve neste artista um eterno enamorado […]».
.A sua passagem pela Nazaré e a particularidade da
cultura local impressionaram o autor e inspiraram grande parte da sua obra,
evidenciando-se um estudo sobre o trajo tradicional local publicado em 1970.
Assumiu um papel activo na defesa do património local, integrando a secção para
a criação de um museu, da Liga dos Amigos da Nazaré. Abílio de Mattos e Silva,
a 4 de Dezembro de 1955, numa reunião efectuada no Casino da Nazaré, profere
uma palestra que terá contribuído para o desenvolvimento desta ideia: “Ainda
estamos a tempo de tudo salvar, de tudo remediar (…) Sinto que o primeiro passo
– passo para salvar a nossa Nazaré – será a criação de um Museu – um Museu de
costumes da Nazaré em que todos procuremos uma lição, onde as crianças devem
aprender como numa aula obrigatória, para que amanhã possam ensinar – e sigam
os ensinamentos adquiridos”. Nesta oportunidade, apresentou um esboço e um
plano para a estruturação do futuro museu.
Em 1986, dando cumprimento à vontade de seu marido, Maria
José Salavisa doa ao Museu Dr. Joaquim Manso um importante conjunto de pinturas
de temática nazarena.
Há medida que o tempo decorre, parece-nos que o "movimento" que se esperou contribuísse para um grande enriquecimento cultural da Nazaré...definhou!
A Nazaré possui desde décadas dum potencial e capacidade invejáveis, mas no aspecto cultural lembra o atleta que "ficou nas covas"!
Esperemos que seja ...uma "nuvem passageira"!
A Nazaré possui desde décadas dum potencial e capacidade invejáveis, mas no aspecto cultural lembra o atleta que "ficou nas covas"!
Esperemos que seja ...uma "nuvem passageira"!
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| Trajos de trabalho po Abílio |
| Uma peixeira com canastra à cabeça e outra a lavar peixe numa celha, 1957 |
| Dois pescadores com trajo de trabalho um segurando um foquim, 1957 |
http://www.cm-sardoal.pt/



Nazaré - PORTUGALIDADE!!!
ResponderEliminarObrigado Anónimo.
ResponderEliminarA Nazaré e algumas das suas figuras transcenderam os limites físicos-administrativos!
Abílio é sem dúvida...um exemplo!