Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

Louça de Alcobaça





Perde-se na História os vestígios da prática da cerâmica na região de Alcobaça, o que estará relacionado com as jazidas de barro. A presença dos monges cistercienses marcou também a arte de trabalhar o barro. Com efeito em 1669, Frei Constantino de Sampaio, Abade do Mosteiro, mandou edificar o Relicário - conjunto escultórico de barro cozido policromado. A obra dos monges barristas, sobressaiu em 1687, com a edificação da capela da Morte de S. Bernardo, no transepto. 
José Queirós, na Cerâmica Portuguesa, refere: Em Alcobaça, deve ter existido o fabrico de loiça comum, pelo menos desde que no seu monumental mosteiro se abrigaram frades…na comunidade, havia oleiros que produziam loiça para gasto do convento. É verosímil que assim fosse pois, no fim do século XVI, já os frades de Alcobaça trabalhavam a escultura em barro, como notório e como o atesta os documentos ainda existentes nalgumas das capelas da Igreja.
No Arquivo da Câmara Municipal de Alcobaça vem referida a proposta feita em 1855 para que seja proibido tirar barro pelos oleiros desta vila no sítio da Roda, junto à Igreja da Senhora da Paz. Por outro lado a toponímia regista a existência da olaria em Alcobaça, já que em 1786, numa visita que fizera ao Mosteiro, a Rainha D. Maria I saíra por uma porta da olaria.
Noutra sessão, a 3 de Julho de 1912, deliberou-se que à rua da Olaria fosse dado o nome de Silvério Raposo. Podemos pois deduzir que no século XIX, já se trabalhava o barro, embora de concreto a primeira referência a uma fábrica de cerâmica seja em 1875, ligada a José dos Reis.
A loiça que ao longo dos tempos se vulgarizou de norte a sul do país como louça de Alcobaça facilmente se identifica através dos seus tons de amarelo, verde, violeta e encarnado sobre um fundo predominante azul - a louça, seguia a tradição coimbrã, pintada ou estampilhada.
A louça de Alcobaça - desde a fruteira à jarra, do prato ornamental até ao bengaleiro - teve boa aceitação, entrando nas mais diversas casas, quer a nível nacional, Europa e América.
O azul foi a cor predominante da louça regional de Alcobaça - que ainda hoje é produzida por algumas fábricas, mas já sem as tonalidades características dos fornos de caruma durante décadas utilizados, já que nos anos cinquenta e sessenta, foram substituídos por outros, eléctricos e de nafta.
Louça de Alcobaça...hoje são peças de colecção!



 



















Sampaio, Jorge Pereira de e Pereira, Luís Pereira - Cem Anos de Louça em Alcobaça
Sampaio, Jorge Pereira de - Faiança de Alcobaça



6 comentários:

  1. Adorei!

    Parabéns...é bom sabermos um pouco mais!!! sempre a aprendermos.

    Obrigada

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  2. Obrigado Colega Maria da Cruz.
    A louça de Alcobaça tem uma longa tradição na nossa cerâmica.
    Nunca atingiu a magnificência nem a amplitude da Vista Alegre...mas teve um peso económico muito grande aqui na região.
    Era fundamentalmente o tom do azul que nos cativava...sobre o qual depois eram desenhados os diversos temas.
    Foi...

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  3. É uma pena esta loiça ter se ido com o tempo e as modernices, pois era bem bonita, ex. da mesma mostra-nos aqui um galheteiro e uma travessa em azul, duas das peças por acaso que gosto e têm um desenho lindo, agora só ficamos pelas pelas imitações!!!

    Um Abraço
    Boa Noite

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  4. Obrigado Anabela.
    Com fama e algum proveito, foi uma actividade florescente...repare...foi!
    Um destes dias vou concretizar quais as empresas que nesta área existiam e contarei o que se passa agora...uma calamidade.
    Só esta!?

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  5. ISA.
    Imitações de baixo valor!
    É que estas peças eram pintadas à mão..feitas por oleiros e...cozidas em forno de lenha...estava aqui o segredo.
    Neste momento nenhuma destas técnicas sobrevive e...portanto já não há louça de Alcobaça.
    Abraço.

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