O foquim é um recipiente em madeira utilizado pelos
pescadores para levarem as suas refeições durante a faina do mar. Cada
pescador tem um, mas como a maioria não sabe ler, para o
identificar pinta símbolos e decorações mais ou menos ingénuas, onde
sobressai o gosto pelas cores vivas. Alguns limitam-se a manchas e
formas coloridas, que correspondem às cores dos seus proprietários,
outros ostentam motivos temáticos e narrativos que os tornam em
verdadeiras obras de arte popular.
Essencialmente funcional e utilitário, eterno “companheiro do
pescador quando vai ou regressa do mar”, o foquim acabou por se tornar
num adereço decorativo do traje tradicional do pescador - o que motivou a
promoção de vários concursos anuais nas décadas de 1950 e 1960,
nomeadamente no mês de Abril, na altura da Páscoa (“Avril au Portugal”) - “Concursos de Foquins” - que estavam em exibição nas montras dos
estabelecimentos comerciais, para apreciação.
Pendente do braço pela asa ou na mão,
todos sensivelmente iguais na forma, mas todos também ostentando
diferente ornamentação pintada, companheiro do pescador que vai para a
pesca ou que dela regressa...graças a Deus. Útil funcionalmente – nele se
leva que comer durante a faina – é incontestavelmente também mais um
elemento decorativo do trajar.
A imagem mostra-nos um foquim "tradicional"!
Feito de madeira sobretudo folha de salgueiro...com as dimensões 30 cms de altura e 29,4 cms de diâmetro.
Caixa de madeira arredondada, com tampa e pega (asa). A parte exterior da tampa é decorada com a representação pictórica do Milagre de Nossa Senhora da Nazaré, enquanto a interior exibe a representação da Aparição de Nossa Senhora de Fátima aos Pastorinhos - provas da grande religiosidade da comunidade piscatória, tão sujeita aos naufrágios e desventuras do mar...que é fonte de alimento e alegria...de dor e morte.
Exteriormente, é pintado de amarelo e decorado com cinco peixes cinzentos e azuis, na parte superior um reforço ("arco") pintado de vermelho e na inferior outro de cor azul. A pega (asa) é amarela.
Feito de madeira sobretudo folha de salgueiro...com as dimensões 30 cms de altura e 29,4 cms de diâmetro.
Caixa de madeira arredondada, com tampa e pega (asa). A parte exterior da tampa é decorada com a representação pictórica do Milagre de Nossa Senhora da Nazaré, enquanto a interior exibe a representação da Aparição de Nossa Senhora de Fátima aos Pastorinhos - provas da grande religiosidade da comunidade piscatória, tão sujeita aos naufrágios e desventuras do mar...que é fonte de alimento e alegria...de dor e morte.
Exteriormente, é pintado de amarelo e decorado com cinco peixes cinzentos e azuis, na parte superior um reforço ("arco") pintado de vermelho e na inferior outro de cor azul. A pega (asa) é amarela.
Hoje,
ainda se encontra disponível no artesanato local, sobretudo sob a forma
de miniaturas ornamentais, que evocam turisticamente o passado
piscatório da Nazaré.
É bem verdade que a mudança de hábitos de vida...o avanço tecnológico que sucedeu, o foquim de desuso...caiu no esquecimento, mas por décadas foi um componente sempre presente no quotidiano Nazareno.
Continua a pertencer aos Nazarenos a "responsabilidade" do seu não desaparecimento, e numa terra de tantas tradições tão canalizadas numa só direcção, a pesca - não se percebe que não surja....um Gabinete...Associação...Grupo (sei lá eu), que tenha somente por finalidade a preservação...do que a memória vai erudindo!
É bem verdade que a mudança de hábitos de vida...o avanço tecnológico que sucedeu, o foquim de desuso...caiu no esquecimento, mas por décadas foi um componente sempre presente no quotidiano Nazareno.
Continua a pertencer aos Nazarenos a "responsabilidade" do seu não desaparecimento, e numa terra de tantas tradições tão canalizadas numa só direcção, a pesca - não se percebe que não surja....um Gabinete...Associação...Grupo (sei lá eu), que tenha somente por finalidade a preservação...do que a memória vai erudindo!
“Os foquins ainda levam de comer, mas ninguém se lembra de os abrir (…)
Não, mais nenhum sente fome. Aquele punho metido ali na barriga é outra
coisa. Todos sabem o que dá o Mar, mas nunca estiveram nas suas mãos com
um vento rijo a empolar os vagalhões que os acometem sem descanso”.
Alves Redol, Uma fenda na Muralha, 1969
(2011 - Centenário do nascimento de Alves Redol)
Alves Redol, Uma fenda na Muralha, 1969
(2011 - Centenário do nascimento de Alves Redol)
http://mdjm-nazare-objectodomes.blogspot.com/


Mais uma informação muito apreciada por mim, pois fico com mais saber e só tenho que agradecer ao colega e amigo que tão bem nos informa.
ResponderEliminarParabéns por nos mostrar todas as tradições desta nossa linda praia da Nazaré.
O meu muito obrigada.
Julgo que quem é Professor uma vez na vida é- o...para sempre!
ResponderEliminarComigo assim sucede, e só me meti nesta "empreitada" porque continuo com o "vício" de fazer chegar aos outros "coisas" que sei!
Defeito...virtude...sei lá eu (como diz uma das minhas netas)!?
Tenho muito gosto que vá visitando o Valado dos Frades.
Boa Noite
ResponderEliminarGrande sabedoria, a sua que nos ajuda a elucidar, sobre estes pequenos (grandes) utensílios usados outrora, já agora, como era revestida por dentro esta pequena "marmita"?
Desde já o meu muito obrigada
Um Abraço
Boa noite ISA.
ResponderEliminarO foquim era a mochila de hoje que tudo transportava no quotidiano dos pescadores.
Por dentro nada...não eram forrados a não ser que o próprio decidisse forrá-lo com um pano ou papel.
Abraço.