Para quem desce a ladeira da Quinta e atravessa os rios do Valado, tem agora que subir a encosta que o levará ao Bárrio.
Mais ou menos a meio da encosta encontra um desvio que o levará ao Castro Romanizado das Parreitas, "pendurado" sobre aquilo que foi a Lagoa da Pederneira - era uma situação privilegiada, situado precisamente onde a lagoa era mais estreita.
Esta estação tem sido estudada ao longo dos anos e muitos dos achados arqueológicos encontram-se expostos no Museu Monográfico do Bárrio, e que remontam a ocupações desde há pelo menos 5 mil anos.
A sua Romanização deve ter ocorrido durante os séculos II a IV depois de Cristo.
As estruturas arquitectónicas revelam a influência de técnicas romanas.
Presença dum achado arqueológico...aqui tão perto dos vizinhos do Valado!
A Villa Romana de Parreitas, situada nas colinas do Bárrio e
debruçada sobre a antiga Lagoa da Pederneira, é testemunho de uma
ocupação humana que se prolonga entre os séculos I e IV, sendo herdeira
de uma tradição que remonta, pelo menos, ao Calcolítico.
Já
referenciada por Vieira Natividade (professor Alcobacense) nos finais
do século XIX, a Villa torna-se objecto de escavação e estudo
sistemático a partir de 1980, sob a direcção do prof. Doutor Pedro Gomes
Barbosa (Instituto de Estudos Regionais e do Municipalismo Alexandre
Herculano - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Apoiadas
na riqueza da antiga Lagoa da Pederneira, a noroeste, e na
produtividade agrícola dos campos que as marginalizam a sul, foi
possível àquelas populações desenvolverem uma economia autónoma, que
lhes permitiu estabelecer relações com comunidades geograficamente
afastadas. O seu desenvolvimento económico comprova-se também pelas
actividades industriais, essencialmente vocacionadas para o consumo
local, e das quais destacamos a olaria, a tecelagem e a metalurgia.
As
estruturas arquitectónicas exumadas definem dois edifícios, sendo pelo
menos um destinado a habitação. Construídos em alvenaria, ligada com
"opus" e atravessados por três sistemas de canalização, são um claro
exemplo de construção local influenciada pela técnica romana. O seu
interior, estruturado em redor de um pátio central, apresentava vários
muros decorados com estuque pintado, sendo o chão coberto de "opus
signinum" e, em pelo menos um caso, revestido a mosaico, destruído pelas
recentes actividades agrícolas.
O espólio encontrado e exposto
no Museu Monográfico do Bárrio, é demonstrativo das diversas actividades
dos habitantes daquele espaço, com relevância para as de carácter
quotidiano: grande quantidade de fragmentos de cerâmica comum e conchas
de moluscos utilizados na alimentação. Paralelamente, surgem alguns
objectos em cerâmica de luxo, nomeadamente diversos tipos de "terra
sigilata", bem como moedas de bronze, fragmentos de vidro, contas
decorativas, asas de "situla", algumas "fibulae" e dois fragmentos de
uma inscrição em pedra.