Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Serradores


Mais uma imagem, que se não fora a habilidade de Joaquim dos Santos Ferreira....certamente não teria chegado aos nossos dias.
O Valado possuía nas terras conhecidas pelos "altos", de sequeiro e com altitudes contrastantes com as baixas onde se praticava a agricultura de regadio...uma relativa área de mata, predominando o pinheiro bravo.
Por outro lado "paredes meias", as Matas Nacionais, estas sim uma área enorme de milhares de hectares e que eram nem mais que o prolongamento do Pinhal de Leiria...estiveram em muitas situações ligadas ao Valadenses!
Não admira pois que desde a década de 1930 tenha havido em plena laboração...uma serração de madeiras...que só mais tarde foi equipada com uma serra mecânica!
A imagem de hoje mostra-nos entretanto um trabalho que envolvia uma violência tremenda pelo esforço que era despendido...dois homens a serrar um pinheiro para o "talharem" em tábuas.
É uma cena tipicamente campestre, quando em segundo plano vislumbramos...a mulher...uma panela ao lume...um cão por companhia vadiando e...algumas tábuas ao alto a secar!
Está "tudo" aqui...mas isto já não é o Valado!

Domingo, 29 de Maio de 2011

Mulheres a Caminho do Trabalho



A imagem colocada recria uma vivência que era quotidiana no Valado.
Ela surgiu num pedido a quando das Comemorações da Passagem a Vila, e a Comissão Organizadora/Orgãos Autárquicos pensaram na revisitação dos momentos mais marcantes do que foi a "vida" no Valado.
Esta manifestação Etnográfica foi um sucesso!
O "post" de hoje, mostra um grupo de mulheres tal qual elas se apresentavam quando iam para o campo ganhar o dia...descalças...com a enxada ao ombro...o farnel dentro duma saca e...em segundo plano uma lavadeira com a trouxa num alguidar!
No extremo esquerdo, surge a integrar o grupo a figura da leiteira, já colocada aqui!
A foto foi tirada num enquadramento que é o jardim do palácio da Quinta do Campo...daí saiu o desfile, o que teve toda a razão de ser, pois aquela foi durante décadas a maior empregadora dos jornaleiros do Valado.
Felizmente este cenário só existe aqui...mas é bom poder visitá-lo!

Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Café Helcar


A vida comercial no Valado teve sempre uma dinâmica não muito expansionista, no sentido de ter muito comércio, mas antes apresentar-se como possuir o que era de facto considerado quase estritamente necessário.
Era assim nos diferentes ramos - uma farmácia...dois talhos...duas pensões com um dúzia de quartos cada...talvez uma dez mercearias e outras tantas tabernas...duas lojas de roupa e...três cafés.
Se quase tudo estava "diluído" pelo tecido urbano da aldeia, no entanto alguns dos estabelecimentos estavam naquilo que poderíamos chamar a área nobre, e era assim com os cafés, todos na hoje Praça 25 de Abril.
A imagem hoje colocada refere-se ao Café Helcar, bem situado na esquina da Rua Prof Arlindo Varela e a Rua Padre Proença de Oliveira mas bem de frente para a referida Praça.
Foi inaugurado em 1959, mantendo-se até hoje com a mesma tipologia e arquitectura, e desde sempre com o mesmo ambiente interno, o que lhe conferia um estatuto muito acima da média dos seus congéneres mesmo em localidades de nível superior.
Para além do referido, o Café Helcar foi também pioneiro no Valado ao apresentar...um reclame publicitário luminoso e colorido...durante algum tempo um "objecto" de extase!
É mais uma peça para compor...o "puzle" Valado!

Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Carregar Milho


O milho...sempre o milho!
Durante décadas e como tenho referido várias vezes no Valado dos Frades, o milho foi quase a razão de existir desta comunidade rural.
Por esta razão havia muitos moinhos de água no Rio do Abegão e do Calixto...havia pelo menos um moinho de vento, o do tio Arcanjo e...inúmeras eiras...arribanas...espigueiros e...palheirões.
Toda esta realidade estava ligada a esta "indústria" que no fim era a cultura e a recolha /armazenamento dos grãos de milho.
Os campos, extensos campos de regadio, localizados no fundo da "antiga lagoa da Pederneira", constituíam uma paisagem monocolor!
Os Valadenses conseguiam aí encontrar a razão da sua existência!
A imagem de hoje, que será da década 1960, mostra ainda uma actividade ligada ao milho...o fazer uma carrada para seguir para a eira.
Hoje o Valado deixou de ser uma terra agrícola, tomando a opção industrial(?!).
No momento presente...falhou, e agora!

Sábado, 14 de Maio de 2011

AS Buganvílias do Valado dos Frades



Uma vez por ano...todos os anos...o espectáculo repete-se!
A Natureza é pródiga nas surpresas que sempre se repetem...surpresas repetidas(?!).
Claro, se o espectáculo apresentar algumas cambiantes que ninguém...nem a própria Natureza controla!
Hoje não tem que ver com a filosofia do Valado dos Frades...pessoas...coisas...história, mas tão só como uma "homenagem" a todos aqueles, e são já muitos, que o seguem.
A escolha recaiu sobre as minhas buganvílias!
Uma vez por ano...todos os anos...elas apresentam este espectáculo, luxuriante de cor, as pétalas a desabrocharem pujantes...julgo serem mais que as próprias folhas...uma presença que parece, pretende chamar a atenção.
E por tudo isto as escolhi, para o "post" de hoje.
Buganvílias do Valado dos Frades...para todos vós!

Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

Lavadeiras no Rio do Nasce Água


Outra imagem, há dezenas, de lavadeiras no nosso rio do Nasce Água.
Porquê do Nasce Água?
Era aqui que estavam as nascentes donde brotava a água para abastecer todo o concelho da Nazaré, e a remanescente escorria num regato , de águas cristalinas em leito de areias brancas...estamos num pinhal...e nas margens cresciam verdejantes e "mimosos" agriões.
A habilidade de um proprietário recriou um pequeno tanque por onde essa água se espraiava...as lavadeiras da Nazaré e Valado vinham aqui lavar a roupa.
Poucos locais teriam água tão própria!
A imagem dum movimento entusiasmante globaliza quase tudo quanto ali se passava...crianças a chapinhar na água...mulheres a lavar...outras já com a trouxa à cabeça para "abalar" e...se repararmos bem, "identificamos" a tal água límpida, porque era corrente!
Toda esta "vida" desapareceu...a água ao domicilio será substituída pela que vem do Castelo de Bode...as mulheres ficaram em casa à espera que o programa da sua Whirlpool - Balay - AEG...termine.
Estamos mais "modernos", mais "urbanizados" e...menos atentos à história que passou sem deixar rasto!

Terça-feira, 3 de Maio de 2011

Descamisada


A cultura do milho foi durante décadas a maior riqueza ou...quase a única do Valado.
Para além de muito trabalho desde a sementeira até à recolha do milho no espigueiro, era na eira que talvez se processasse o mais interessante e o que desenvolvia um "folclore" de alegria...convivência...camaradagem.
E tudo se iniciava com a descamisada, uma imagem muito interessante e esclarecedora, onde vamos encontrar um grupo de amigos e familiares, sentados em redor do monte de espigas, que paulatinamente lhes iam retirando as camisas  sendo depois atiradas para os poceiros, e uma vez cheios, levados para o espigueiro.
Durante este trabalho, realizado geralmente à noite, era sempre acompanhado de jocosidade e brincadeira, a que não faltava a alegria de encontrar uma espiga vermelha que obrigava o rapaz ou rapariga a dar um beijo a todos (ou homens ou mulheres) que se sentavam na roda.
De vez em quando havia o beberricar de um copo de abafado, um vinho doce.
No fim, ainda talvez houvesse um tempo para um bailarico na eira.
O Valado dos Frades continua a mostrar a história que muitos não viveram...mas que aqui podem revisitar!

Domingo, 1 de Maio de 2011

Homens que Remendaram o Rombo no Rio da Areia


O "nosso" rio da Areia...bucólico...pachorrento e...romântico, por vezes vestia a pele de leão!
É um rio que faz parte do imaginário Valadense, por ser tanta a dependência que temos dele, era ele que fornecia a água para regar as hortícolas, era dele que se extraíam as areias para a construção civil, era nele que se lavavam as cenouras, é na margem dele que se situa a Fonte dos Namorados, era ele que apresentava um leito de areias brancas e cristalinas!...
Mas o "nosso" belo rio da Areia tem um traçado físico não muito comum...o seu leito está no nível de base, o que significa que todo ele corre acima das terras envolventes e as suas margens estão pois "empoleiradas" naquelas.
Resultado, quando vinham os Invernos de grandes chuvas, e por falta de apoios laterais as margens ou "motas" cediam e originavam cheias enormes submergindo os campos do Valado até à Ponte da Barca...onde começa o Oceano Atlântico.
Claro que era necessário do modo mais urgente possível recompor essas "motas", e como não havia tractores...camionetas...retroescavadoras, tudo era feito com o esforço braçal de grupos de homens que munidos de enxadas...pás...carros de vacas carregados de areia...estacas cortadas no pinhal, tudo servia para compor o rombo.
Por vezes a situação era complicada, porque através desse rombo continuava a correr grande caudal de água e geralmente a chuva caía.
Era uma luta titânica...mas que por fim os homens ganhavam.
Esta imagem deste grupo, que acabou de remendar um rombo, remonta à década de 1950.
Hoje tudo seria mais rápido e fácil, mas com a desorganização e o abandono dos rios e campos...o melhor é não haver cheias!