A tarde de 5ª feira Santa era no Valado um tempo de grande recolhimento e religiosidade.
Começava por ninguém ir trabalhar no campo, e os homens iam à pesca de enguias nos rios e abertas que sulcam os campos...era também a preparação das refeições que nestes últimos dias da Quaresma impunham a abstinência da carne.
Mas a par deste pequeno pormenor profano, havia outros de maior sentido religioso comum e frequente a muitos lugares, onde sobressaía o toque das matracas.
No tempo da Quaresma d´outro tempo, os
padres impunham muitas restrições e obrigações e todos cumpriam. Não se
cantava senão na Igreja, não se tocava qualquer instrumento, realejo,
concertina, pandeireta e outros, não havia baile, tapavam-se as
cruzes...era um tempo de grande recolhimento, interioridade e
religiosidade.
Na tarde de
Quinta-Feira Santa já ninguém ia trabalhar para o campo e na Sexta-Feira
Santa tapavam-se todas as imagens com panos roxos e as janelas com
panos pretos e os sinos não tocavam. Em lugar do toque dos sinos, para
chamar os Cristãos para as cerimónias religiosas recorria-se às
matracas.
O sino "emudecia" e os seus toques eram substituídos a partir das Avés-Marias (cerca do pôr do Sol), pelo som das matracas....uma tábua, onde estavam suspensas umas ferragens, que quando era agitada em movimentos rítmicos faziam um barulho característico - treco treco treco.
Esta operação era feita por um adulto seguido dum grupo de crianças, para quem isto era um acontecimento completamente novo, percorrendo as principais ruas da aldeia.



Por aqui as matracas ainda abrem a Procissão das Velas...
ResponderEliminar"
EliminarOnde acontece a abertura da Procissão c Mtracas"
Pois Anabela, por aqui já nem existem as matracas.
ResponderEliminarQue mais nos poderão levar?
Obrigado Fernando.
ResponderEliminarNão há uma procissão.
O que sucede é que na semana santa e a partir da 5ªfeira Santa..anda um homem pelas ruas da aldeia com um grupo de miúdos atrás...a tocar as matracas!
A Páscoa e todos os seus preparativos, foram e serão, todos feitos de várias formas, depende simplesmente de terra para terra. As grandes cidades já pouco ou nada se faz do antigo, mas é lindo ver os costumes (procissão, toque de sinos, visitas, ect...) das pequenas aldeias.
ResponderEliminarUm Abraço amigo
Olá ISA.
ResponderEliminarPois é ISA é tudo muito bonito, mas...já nada resta, nem o recato da Quaresma...nem o toque das matracas!
Temos o que vamos conseguindo manter num tempo difícil.
Abraço.